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Encontros inusitados: imprensa internacional repercute discursos de Lula e Trump na ONU

A abertura da Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (23/9), trouxe destaque para os discursos dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil) e Donald Trump (EUA), que falaram em sequência no plenário e chegaram a se encontrar rapidamente nos bastidores.

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O Washington Post descreveu a cena como um dos “encontros inusitados e, às vezes, constrangedores” que marcam a reunião anual de líderes mundiais. O jornal ressaltou o contraste entre os dois presidentes: enquanto Lula celebrou a condenação de Jair Bolsonaro e se apresentou como contraponto ao populismo de direita, Trump criticou o governo brasileiro por medidas contra seu aliado político.

O diário americano também destacou que Lula falou em nome do mundo em desenvolvimento e responsabilizou o Ocidente pelo prolongamento da guerra em Gaza, criticando o “mito do excepcionalismo ético” das potências ocidentais.

El País: Lula não se curvou

Na Espanha, o El País afirmou que Lula está “entre os poucos líderes que não se curvaram às medidas unilaterais do presidente-magnata”. O jornal ressaltou a possibilidade de um encontro mais longo entre os dois mandatários e classificou a relação bilateral como “no momento mais crítico em mais de dois séculos”.

O veículo também mencionou o tom mais duro de Trump em relação ao Brasil, quando advertiu que o país “só se sairá bem se cooperar com os EUA”, justificando tarifas comerciais como medidas de reciprocidade.

The Guardian: críticas indiretas

No Reino Unido, o The Guardian deu destaque ao discurso de Lula sobre a defesa da democracia. O título da reportagem foi: “Presidente do Brasil diz em discurso na ONU que democracia pode prevalecer sobre ‘pretensos autocratas’”.

O jornal britânico avaliou que o brasileiro fez críticas indiretas a Trump ao alertar sobre o avanço de “forças antidemocráticas” que “veneram a violência, glorificam a ignorância e restringem a imprensa”. O Guardian também lembrou as recentes tensões entre Brasil e EUA, mas observou que, apesar disso, Trump surpreendeu ao dizer que “gostou de Lula” e deixou aberta a possibilidade de reconciliação.

Perspectivas

A interação entre os dois presidentes — marcada por discursos contrastantes, mas também por gestos de aproximação — abriu espaço para especulações sobre um encontro mais formal na próxima semana, que pode representar tanto uma oportunidade de diálogo quanto novos atritos.