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Maduro afirma que Venezuela enfrenta “maior ameaça em um século”

Presidente acusa os EUA de cercarem o país com destróieres e milhares de fuzileiros navais

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, declarou nesta segunda-feira (2) que o país enfrenta “a maior ameaça em 100 anos”, ao acusar os Estados Unidos de posicionarem 1.200 mísseis em oito navios de guerra próximos à costa caribenha. Segundo ele, a mobilização inclui ainda um submarino nuclear e cerca de 4.500 fuzileiros navais.

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Diante da imprensa internacional, Maduro afirmou que as Forças Armadas venezuelanas estão prontas para o combate e decretou “preparação máxima” da defesa nacional. Ele classificou a operação norte-americana como “extravagante, imoral e criminosa” e convocou reservistas e a Milícia Nacional Bolivariana, que o governo diz reunir 4,2 milhões de integrantes – número visto como exagerado por analistas.

Washington, por sua vez, sustenta que a movimentação militar faz parte do combate ao narcotráfico internacional e ao Cartel de Los Soles, apontado por autoridades americanas como responsável pelo envio de cocaína ao México e aos EUA.

Especialistas ouvidos pelo Correio avaliam que Maduro busca elevar a tensão com os EUA e mobilizar apoio interno, enquanto enfrenta questionamentos sobre a legitimidade de sua permanência no poder após as eleições de julho de 2024. O coronel venezuelano Antonio Guevara destacou três cenários: a manutenção de Maduro no governo, a retomada do poder em caso de queda ou uma “guerra popular prolongada”.

Para o cientista político José Vicente Carrasquero Aumaitre, da Universidad Simón Bolívar, a retórica do presidente visa atrair atenção internacional e projetar a Venezuela como vítima de pressão externa. “Maduro tenta inverter papéis, mas carrega histórico de violações de direitos humanos, presos políticos e crise humanitária. A verdadeira solução seria deixar o poder”, afirmou.