O Furacão Erin voltou a atingir a categoria 4 na noite de domingo (17), com ventos sustentados de 210 km/h e rajadas que se estendem por até 370 km, segundo o Centro Nacional de Furacões (NHC). A tempestade estava localizada a menos de 1.600 km a sudeste de Cape Hatteras, na Carolina do Norte.

O sistema deve continuar ganhando força e pode dobrar ou até triplicar de tamanho nos próximos dias, à medida que avança em direção ao norte e ao oeste, provocando condições marítimas perigosas em grande parte do Atlântico ocidental.
No sábado, Erin chegou brevemente à categoria 5, com ventos próximos a 260 km/h, antes de perder intensidade e se expandir sobre o oceano ao norte do Caribe. O fenômeno chamou atenção pela velocidade da intensificação: passou de categoria 1 para categoria 5 em pouco mais de 24 horas — uma das evoluções mais rápidas já registradas no Atlântico.
Apesar da força, Erin não deve atingir diretamente o continente. A previsão é que o furacão passe ao norte de Porto Rico e siga para o Atlântico aberto entre a Costa Leste dos EUA e Bermudas. Ainda assim, correntes de retorno (rip currents) devem impactar praias do sul dos EUA a partir desta segunda-feira, avançando para o nordeste nos próximos dias. O Serviço Nacional de Meteorologia alerta que o risco dessas correntes é alto mesmo antes da chegada de ondas maiores.
Em Porto Rico, as bandas externas da tempestade já provocaram chuvas fortes, deixando mais de 100 mil pessoas sem energia elétrica. São esperados acumulados adicionais de 50 a 100 mm na ilha até segunda-feira. Já nas Ilhas Turcas e Caicos e nas Bahamas orientais, a previsão é de até 150 mm de chuva, com risco de inundações repentinas, deslizamentos de terra e desmoronamentos. Alertas de tempestade tropical estão em vigor nessas regiões.
Na Carolina do Norte, o condado de Dare, onde ficam as Outer Banks, decretou estado de emergência e determinou a evacuação obrigatória da Ilha de Hatteras. Segundo autoridades locais, trechos da Rodovia N.C. 12 ficarão intransitáveis devido a alagamentos e avanço do mar entre os dias 19 e 21 de agosto.
Intensificação extrema
A intensificação rápida acontece quando os ventos de um furacão aumentam em pelo menos 55 km/h em menos de 24 horas. Esse fenômeno tem se tornado mais comum com o aquecimento global, causado pelo aumento das temperaturas do oceano e da atmosfera.
Erin agora faz parte de um grupo seleto de apenas 43 furacões de categoria 5 já registrados no Atlântico. Desde 2016, já são 11 sistemas desse porte, um número considerado elevado e indicativo de uma nova tendência. Também é incomum observar uma tempestade tão intensa tão cedo na temporada, especialmente fora do Golfo do México.
Esta é a quarta temporada consecutiva de furacões no Atlântico com pelo menos um sistema de categoria 5 — os mais recentes foram Beryl e Milton, em 2024.
O Furacão Erin é o primeiro grande sistema da temporada de 2025. Antes dele, quatro ciclones tropicais (Andrea, Barry, Chantal e Dexter) se formaram, mas não passaram da força de tempestade tropical. Segundo o Centro de Previsão Climática, a mesma área onde Erin surgiu continuará sendo monitorada até pelo menos o início de setembro, com alto potencial para o desenvolvimento de novos sistemas.



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